Quando relações pessoais começam a influenciar decisões dentro da instituição?
Helena tinha uma relação próxima com um superior.
Conversavam fora do serviço, trocavam mensagens e tinham uma amizade que, com o tempo, ficou mais próxima.
Até que alguns colegas começaram a perceber algo:
Helena conseguia determinadas facilidades que eles não conseguiam.
Uma escala melhor. Uma função desejada. Algumas concessões.
Então surgiu a pergunta:
era apenas uma relação pessoal ou aquilo estava influenciando o serviço?
Onde começa o problema?
Policiais são pessoas.
Podem fazer amizades, namorar, casar e criar vínculos com colegas e superiores.
O problema aparece quando uma relação pessoal começa a interferir em uma decisão profissional.
Escalas, funções, oportunidades e benefícios precisam obedecer aos critérios aplicáveis ao serviço.
Quando a proximidade pessoal passa a determinar quem recebe uma vantagem, a confiança da equipe pode ser afetada.
E se houver interesse dos dois lados?
Essa é uma situação ainda mais delicada.
Pode existir um policial tentando obter uma vantagem por meio de uma relação pessoal.
Também pode existir um superior oferecendo uma facilidade esperando alguma forma de reciprocidade.
Nesse momento, já não estamos falando apenas de vida pessoal.
Estamos falando de hierarquia, responsabilidade e possível favorecimento.
O RDBM da Brigada Militar, por exemplo, determina que o militar se abstenha de usar o posto ou a graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza. Também prevê transgressões relacionadas ao uso do cargo ou função para assédio sexual.
E a mulher?
Esse ponto precisa ser tratado com cuidado.
Não podemos partir da ideia de que uma policial conseguiu alguma vantagem por causa da aparência, sensualidade ou relacionamento.
A pergunta correta é outra:
houve favorecimento por causa de uma relação pessoal?
E isso vale para homens e mulheres.
Carlos resumiu a questão
Carlos observava uma situação semelhante e comentou:
“O problema não é duas pessoas terem uma relação. É quando essa relação começa a decidir quem ganha e quem perde dentro do serviço.”
Talvez essa seja a melhor forma de enxergar o problema.
Relacionamentos fazem parte da vida. Favorecimento dentro de uma instituição hierarquizada é outra coisa.
Para pensar
Antes de conceder ou aceitar uma vantagem, vale perguntar:
“Eu faria a mesma coisa por outro policial que estivesse na mesma situação?”
Se a resposta for não, talvez exista uma questão que precise ser analisada.
Hierarquia exige responsabilidade. E responsabilidade também significa saber separar relações pessoais das decisões profissionais.
Você já presenciou uma situação assim?
Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Fundador do Polícia360
Experiência de quem viveu a carreira. Informação para quem está construindo a próxima fase.