Quando a imagem do policial vira fonte de renda?
Carlos gostava de academia, fotografia e redes sociais.
Com o tempo, percebeu que sua imagem poderia gerar dinheiro. Começou a receber propostas e passou a produzir conteúdos pagos.
Helena também percebeu essa possibilidade. Gostava de praia, academia e fotografia e começou a monetizar parte do conteúdo que produzia.
Nenhum dos dois via aquilo necessariamente como parte da carreira policial.
Mas surgiu uma pergunta:
o que muda quando um policial transforma a própria imagem em fonte de renda?
A vida pessoal também pode virar negócio
A internet mudou a forma como as pessoas trabalham com a própria imagem.
Hoje é possível ganhar dinheiro com publicidade, divulgação de produtos, assinaturas e diferentes tipos de conteúdo.
Inclusive conteúdos de caráter sensual.
A questão, para o policial, não é simplesmente se ele pode ou não mostrar o próprio corpo.
É entender quando essa exposição passa a ser uma atividade comercial e quais regras profissionais podem alcançá-la.
O uniforme muda a situação
Uma fotografia em roupa civil é uma coisa.
Outra é produzir conteúdo comercial usando farda, distintivo, viatura ou outros elementos que identifiquem a instituição.
Nesse caso, a imagem pessoal passa a estar associada também à imagem institucional.
E as regras podem variar conforme a corporação.
Na Brigada Militar, por exemplo, o Código de Ética previsto na Lei Complementar nº 10.990/1997 estabelece deveres que alcançam também a vida particular do militar, incluindo proceder de maneira ilibada na vida pública e particular e preservar disciplina, respeito e decoro. Essas regras precisam ser analisadas em conjunto com as normas específicas da instituição.
E se a imagem for sensual?
Aqui é importante separar as coisas.
Uma pessoa pode publicar uma foto de praia, academia ou uma imagem mais sensual sem que isso, por si só, diga tudo sobre sua profissão.
Mas quando existe monetização, a situação ganha outra dimensão.
Antes de começar, o policial deveria perguntar:
- Estou utilizando minha condição de policial para conseguir clientes?
- Estou usando uniforme ou símbolos da instituição?
- Minha atividade é apenas pessoal ou também comercial?
- Existe alguma norma da minha corporação sobre essa atividade?
- Estou separando claramente minha profissão daquilo que faço nas redes?
Carlos e Helena perceberam uma coisa
A discussão não precisava ser:
“Policial pode mostrar o corpo?”
A pergunta mais útil era:
“O que estou fazendo com minha imagem e quais responsabilidades existem por trás dessa escolha?”
Porque ter vida pessoal é uma coisa.
Transformar a própria imagem em negócio é outra.
E associar esse negócio à instituição é uma terceira situação.
Para levar para a carreira
Antes de transformar sua imagem em fonte de renda, conheça as regras da sua instituição e avalie onde termina sua vida pessoal e começa uma atividade que pode trazer responsabilidades profissionais.
A internet mudou. A carreira policial também precisa aprender a lidar com essas novas situações.
E você: se sua imagem começasse a gerar dinheiro amanhã, saberia onde estão os limites da sua profissão?
Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Fundador do Polícia360
Experiência de quem viveu a carreira. Informação para quem está construindo a próxima fase.