O que fazer com a farda e os acessórios depois da aposentadoria?

Você passou décadas usando a farda. E quando chega a aposentadoria, surge uma dúvida que quase ninguém explica:

O que fazer com tudo aquilo que ficou guardado?

Carlos abriu o armário alguns meses depois de passar para a inatividade. Ali estavam uniformes, bonés, distintivos, insígnias, medalhas, coturnos e outros acessórios que fizeram parte de boa parte de sua vida.

Ele não queria simplesmente jogar tudo fora.

Mas também não sabia:

Posso continuar usando? Posso guardar? Posso doar? Posso entregar para a instituição?

Guardar não é a mesma coisa que usar

A primeira coisa a entender é que farda, distintivo, insígnia e outros elementos de identificação profissional não são apenas roupas comuns.

Em determinadas carreiras militares, existem regras específicas sobre uniformes e seus símbolos. A legislação nacional, por exemplo, reconhece o uso privativo de uniformes, insígnias e distintivos das polícias militares e também alcança militares veteranos da reserva remunerada e reformados.

Mas isso não significa que o policial aposentado possa simplesmente usar a antiga farda em qualquer situação.

Existem normas que restringem o uso do uniforme na inatividade e deixam situações específicas sujeitas à autorização ou regulamentação da instituição.

Por isso, guardar uma peça histórica da sua carreira e sair usando essa peça são situações diferentes.

E os distintivos, medalhas e insígnias?

Aqui também é preciso cuidado.

Medalhas e condecorações podem representar uma parte importante da história profissional. Já insígnias, distintivos e elementos que identificam instituição, posto ou graduação podem estar sujeitos a regras próprias.

Antes de entregar, vender, doar ou utilizar qualquer peça, vale conferir o regulamento da sua instituição.

Principalmente quando o objeto ainda permite identificar claramente a instituição, a função ou a graduação que você ocupava.

E se eu quiser guardar como lembrança?

Esse é um caminho diferente.

Você pode separar aquilo que representa sua história profissional e organizar como memória pessoal: fotografias, certificados, medalhas, documentos, lembranças de cursos e outras peças cuja guarda seja permitida pelas regras aplicáveis.

Uma caixa ou pequeno espaço de memória pode preservar décadas de história sem transformar a aposentadoria em uma obrigação de continuar vivendo como se ainda estivesse na ativa.

Como posso ajudar?

Antes de decidir o destino da farda e dos acessórios, faça quatro perguntas:

Essa peça pode ser mantida comigo?

Existe alguma regra sobre seu uso depois da inatividade?

Posso doar ou entregar para outra pessoa?

Preciso devolver alguma coisa à instituição?

Se houver dúvida, procure o setor responsável da sua própria instituição e peça a orientação conforme o seu caso.

Dica:

Não jogue fora por impulso e também não use por hábito.

Primeiro descubra o que a regra da sua carreira permite fazer com cada peça.

Depois escolha o que merece ser guardado como lembrança da sua história.

A farda pode deixar de fazer parte da sua rotina sem deixar de fazer parte da sua história.

Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Criador do Polícia360
Polícia360 — Informação, experiência e vida depois da farda.

 

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