Você é policial, precisa aumentar sua renda e já pensou em fazer um “bico” nas horas de folga? Mas já parou para pensar se esse trabalho extra pode trazer problemas para sua carreira?
João era policial há alguns anos. O salário pagava as contas, mas quase nunca sobrava dinheiro no final do mês.
Um colega contou que fazia um trabalho extra nas folgas e conseguia uma renda que ajudava bastante em casa.
João começou a pensar:
“Se estou de folga, por que não posso trabalhar algumas horas e ganhar um dinheiro a mais?”
A pergunta parece simples.
Mas a resposta não é tão simples assim.
Afinal, policial pode fazer bico?
Não existe uma única resposta que sirva para todos os policiais brasileiros.
As regras podem variar conforme:
- a carreira;
- a instituição;
- a legislação aplicável;
- o tipo de atividade;
- o vínculo funcional;
- e as regras específicas às quais o policial está submetido.
Por isso, não é correto afirmar simplesmente:
“Todo policial pode fazer bico.”
Mas também não é seguro dizer:
“Nenhum policial pode trabalhar fora da polícia.”
A situação precisa ser analisada de acordo com as regras que se aplicam àquele profissional.
A própria Constituição prevê regimes específicos para os militares dos Estados e determina que a legislação trate de aspectos próprios dessas carreiras.
Mas e se for na minha folga?
Essa é uma das primeiras dúvidas.
O policial pode pensar:
“Se não estou de serviço, o que faço é problema meu.”
Nem sempre.
Estar de folga não significa automaticamente que qualquer atividade remunerada seja compatível com a carreira.
Existem atividades que podem entrar em conflito com os deveres funcionais, comprometer o serviço, gerar conflito de interesses ou até utilizar indevidamente a condição de policial.
Por isso, a folga não deve ser considerada, sozinha, autorização para qualquer tipo de trabalho.
Qual é o problema do famoso “bico”?
O problema não é simplesmente querer ganhar dinheiro fora da polícia.
O ponto principal é qual atividade será exercida e em que condições.
Antes de aceitar um trabalho extra, o policial deveria perguntar:
Essa atividade é permitida para minha carreira?
Ela pode prejudicar meu serviço?
Existe conflito de interesses?
Estou usando minha condição de policial para conseguir clientes ou vantagens?
A atividade pode comprometer minha imagem profissional?
Essas perguntas são importantes porque existem carreiras em que a legislação estabelece restrições específicas para atividades paralelas. Portanto, uma atividade que parece normal para outra pessoa pode não ser adequada para determinado policial.
E se eu estiver precisando do dinheiro?
Essa talvez seja a parte mais real dessa discussão.
Contas chegam.
A família cresce.
Um financiamento aparece.
E nem sempre o salário acompanha aquilo que a vida exige.
É compreensível que o policial procure uma maneira de aumentar sua renda.
O problema acontece quando a necessidade financeira faz com que ele aceite uma atividade sem antes verificar as regras.
Ganhar dinheiro fora da polícia pode ser importante. Colocar a carreira em risco por desconhecer uma regra pode sair muito mais caro.
O que devo verificar antes de aceitar um bico?
Antes de começar qualquer atividade remunerada, procure verificar:
- qual regra se aplica à sua carreira;
- se existe alguma proibição ou restrição;
- se a atividade é compatível com suas funções;
- se existe conflito de interesses;
- se poderá haver prejuízo para o serviço;
- se existe alguma exigência de autorização ou comunicação;
- e se a atividade pode gerar consequência administrativa ou disciplinar.
Não use apenas o seu colega como referência.
Ele pode pertencer a outra carreira, outra instituição ou estar submetido a regras diferentes.
Como posso ajudar?
Se você está pensando em fazer um trabalho extra para complementar sua renda e não sabe se isso pode trazer algum problema para sua carreira, pode me procurar pelo site Polícia360. Conte sua dúvida ou a situação que está avaliando. Vou procurar compartilhar minha experiência e indicar caminhos para você buscar mais informação.
Dica: antes de aceitar qualquer “bico”, não pergunte somente:
“Quanto vou ganhar?”
Pergunte também:
“Posso fazer isso sem criar um problema para minha carreira?”
Conhecer a regra antes de começar pode evitar uma dor de cabeça muito maior depois.
Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Criador do Polícia360
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