Policial nas redes sociais: quando a sua imagem pessoal também envolve a instituição?

Carlos gostava de academia e de fotografia.

Fora do serviço, mantinha suas redes sociais como qualquer outra pessoa. Publicava viagens, momentos com os amigos e fotos dos treinos. Algumas mostravam bastante do seu corpo.

Helena também tinha seu perfil.

Gostava de praia, academia e fotografia e, de vez em quando, publicava fotos mais sensuais.

Para os dois, aquilo fazia parte da vida pessoal.

Até que surgiu uma dúvida:

o que muda quando uma dessas fotos aparece junto com a farda, o distintivo, uma viatura ou outro elemento que identifique a instituição?

A vida pessoal continua existindo

Ser policial não significa deixar de ter vida pessoal.

O policial continua tendo família, amigos, lazer, vaidade, opiniões e redes sociais.

E uma foto mais sensual, por si só, não deve ser tratada automaticamente como uma questão institucional.

O ponto começa a mudar quando a imagem pessoal passa a carregar também elementos que identificam a instituição.

A farda muda a leitura da imagem

A Brigada Militar possui orientação específica sobre publicações em perfis pessoais.

A Portaria nº 21/COR-G/2022 alerta que, ao publicar imagens de farda ou com peças e locais que identifiquem a instituição, o policial precisa considerar que aquela imagem pode ultrapassar a esfera exclusivamente pessoal.

A própria regulamentação da Brigada Militar trata o uniforme como elemento relacionado à autoridade e à imagem institucional.

Isso não significa que toda foto usando uniforme seja proibida.

Significa que o policial precisa ter mais cuidado com aquilo que publica e com a forma como sua imagem profissional aparece associada ao conteúdo.

E quando a foto é sensual?

Aqui está uma questão que merece cuidado.

Uma foto de praia, academia, sem camisa ou mais sensual pode fazer parte da vida pessoal de qualquer pessoa.

Homem ou mulher.

O problema não é o policial ter corpo, vaidade ou vida pessoal.

A pergunta é outra:

essa publicação está apenas mostrando a minha vida pessoal ou também está associando essa imagem à instituição que represento?

Uma foto no perfil pessoal é uma coisa.

Uma foto sensual usando uniforme, distintivo, dentro de uma viatura ou em uma instalação identificada com a instituição é outra situação.

Quanto mais elementos institucionais aparecem, maior é a necessidade de cuidado.

Antes de publicar, faça uma pergunta simples

Antes de colocar uma foto no ar, principalmente quando estiver usando algo que identifique sua profissão, pense:

“Se alguém olhar essa imagem sem conhecer minha intenção, vai enxergar apenas a minha vida pessoal ou também a instituição?”

Essa pergunta pode evitar problemas.

Não significa deixar de usar as redes sociais.

Significa entender o que a imagem está comunicando.

Carlos e Helena perceberam uma coisa

Eles não precisavam abandonar suas redes sociais.

Também não precisavam deixar de mostrar quem eram fora do trabalho.

Precisavam apenas separar melhor as duas coisas.

Vida pessoal é vida pessoal.

Mas quando a farda, o distintivo, a viatura ou outro símbolo institucional aparece, aquela imagem pode ganhar um significado diferente.

Para levar para a carreira

Antes de publicar, olhe novamente para a foto.

O que estou mostrando?

Quem aparece?

Existe algum elemento que identifique minha instituição?

Eu publicaria essa mesma foto se ela fosse vista por colegas, superiores e pelo público em geral?

Não é sobre proibir a vida pessoal.

É sobre entender a responsabilidade que pode acompanhar a imagem profissional.

Porque o policial pode ter sua vida fora da farda.

Mas precisa saber reconhecer quando a farda entrou na foto.


Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Fundador do Polícia360
Experiência de quem viveu a carreira. Informação para quem está construindo a próxima fase.

Polícia360 — Informação, experiência e vida depois da farda.

 

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