Aposentadoria: finalmente tenho tempo. Mas tenho saúde para aproveitá-lo?
Depois de décadas trabalhando, você finalmente tem tempo para fazer aquilo que sempre adiou. Mas seu corpo está preparado para acompanhar esses planos?
Carlos passou muitos anos na polícia. A rotina de trabalho ocupava boa parte da vida e, durante muito tempo, ele pensou que faria algumas coisas depois da aposentadoria.
Viajar mais. Jogar futebol. Caminhar. Conhecer lugares novos. Fazer projetos que ficaram para trás.
Quando finalmente se aposentou, percebeu que tinha uma liberdade que antes não existia.
Mas também percebeu outra coisa:
o tempo havia chegado. O corpo, porém, já não era o mesmo.
A aposentadoria pode mudar essa percepção
Durante a ativa, é comum pensar:
“Quando eu me aposentar, eu faço.”
O problema é que os planos são feitos com a disposição e a condição física que imaginamos ter no futuro.
A realidade pode ser diferente.
Anos de trabalho, pouco descanso, alimentação inadequada, sedentarismo em determinados períodos, lesões e falta de acompanhamento preventivo podem influenciar a condição física com que a pessoa chega à aposentadoria.
E existe outro detalhe.
Quando o trabalho deixa de ocupar grande parte do dia, algumas limitações que antes ficavam escondidas pela rotina podem ficar mais evidentes.
Ter tempo não significa poder fazer tudo
Esse talvez seja um dos primeiros aprendizados da nova fase.
Você pode ter tempo para jogar futebol todos os dias, mas talvez seu corpo não esteja preparado para isso.
Pode querer viajar muito, mas precisar adaptar o ritmo.
Pode decidir começar uma atividade física, mas precisar começar devagar.
Pode querer realizar vários projetos ao mesmo tempo, mas perceber que precisa cuidar primeiro da própria condição física.
Isso não significa abandonar os planos.
Significa adaptá-los à realidade que existe hoje.
O que ainda dá para fazer?
Essa talvez seja uma pergunta melhor do que:
“O que eu não consigo mais fazer?”
A aposentadoria pode ser uma oportunidade para descobrir atividades que façam sentido para a sua condição atual.
Caminhar, nadar, pedalar, praticar um esporte, viajar, trabalhar em um projeto, estudar ou simplesmente ter uma rotina mais ativa.
Não existe uma fórmula igual para todos.
E quando existe dor persistente, lesão ou alguma limitação, vale buscar orientação profissional antes de aumentar a carga ou voltar a determinada atividade.
Como posso ajudar?
Antes de preencher a agenda da aposentadoria, faça algumas perguntas:
Como está minha condição física hoje?
Existe alguma atividade que quero voltar a fazer e que exige preparação?
Tenho alguma dor ou limitação que venho ignorando?
Estou cuidando da minha saúde ou apenas planejando o que farei com meu tempo?
Essas perguntas podem parecer simples, mas ajudam a colocar uma coisa importante no planejamento da aposentadoria:
não basta ter tempo. É preciso cuidar das condições para aproveitá-lo.
Dica:
Não espere a aposentadoria para descobrir o que seu corpo consegue fazer.
Se você ainda está na ativa, comece a cuidar dele agora.
Se já se aposentou, não pense que precisa fazer tudo de uma vez.
Talvez a melhor forma de aproveitar essa nova fase seja justamente aprender a fazer as coisas de um jeito diferente do que você fazia quando era mais jovem.
Porque a aposentadoria pode devolver uma coisa que a carreira muitas vezes tirou:
tempo.
Cuidar da saúde é uma das formas de aumentar as possibilidades de aproveitar esse tempo.
Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Criador do Polícia360
Polícia360 — Informação, experiência e vida depois da farda.