TAF: você está treinando exatamente para o edital?
Lucas estudava havia meses para o concurso policial.
Também começou a correr e fazer musculação porque sabia que teria de passar pelo TAF.
O problema era que ele treinava sem olhar os detalhes do edital.
Fazia exercícios que gostava, corria quando tinha tempo e acreditava que, estando “em boa forma”, conseguiria passar.
Até perceber uma coisa:
estar em forma não significa necessariamente estar preparado para o TAF.
O TAF não é uma prova genérica de condicionamento
Cada concurso pode estabelecer exercícios, índices mínimos, idade, forma de execução, número de tentativas e critérios de aprovação diferentes.
No concurso para Soldado da Brigada Militar do RS, por exemplo, a própria página oficial do certame disponibiliza alterações e documentos específicos sobre o exame de capacidade física.
Em outro concurso policial realizado em 2026, por exemplo, o TAF previa barra ou apoio, abdominal e corrida de 12 minutos, com critérios de pontuação e aprovação definidos no edital.
Ou seja:
não existe um único “treino para concurso policial”.
Existe o treino para aquele edital.
O exercício precisa ser treinado como será cobrado
Não basta conseguir fazer determinado exercício.
É preciso conhecer a execução exigida pela banca.
Um candidato pode ter força suficiente, mas perder repetições porque executa o movimento de maneira diferente daquela estabelecida no edital.
Também é importante conhecer:
- distância da corrida;
- tempo exigido;
- número de repetições;
- posição inicial;
- forma correta de execução;
- número de tentativas;
- intervalo entre exercícios;
- critérios de eliminação.
Em concursos recentes, por exemplo, há editais que estabelecem inclusive que os exercícios sejam realizados em determinada ordem e que o candidato seja eliminado se não atingir os critérios previstos.
Não treine apenas para passar
Esse é outro erro.
Se o edital exige um determinado desempenho mínimo, chegar exatamente nesse limite pode deixar pouco espaço para um dia ruim.
Por isso, depois de conhecer os índices, é interessante acompanhar sua evolução e buscar uma margem de segurança.
Mas sem esquecer que o objetivo é chegar preparado para a prova real, e não simplesmente acumular horas de academia.
Lucas mudou o treinamento
Depois de perceber o erro, Lucas fez algo simples.
Pegou o edital.
Anotou cada exercício.
Verificou os critérios de execução.
E passou a organizar os treinos de acordo com aquilo que realmente seria cobrado.
Também começou a simular a sequência dos exercícios e a acompanhar seus resultados.
Ele continuou fazendo musculação.
Continuou correndo.
Mas agora sabia por que estava fazendo cada coisa.
Antes de começar a treinar, faça isso
Se você está se preparando para um concurso policial:
1. Pegue o edital mais recente disponível.
2. Localize exatamente a parte do TAF.
3. Anote todos os exercícios e índices.
4. Confira como cada exercício deve ser executado.
5. Compare os requisitos com seu condicionamento atual.
6. Monte o treinamento a partir dessas informações.
E quando sair uma retificação do edital, confira novamente os critérios.
A própria Brigada Militar publicou, por exemplo, retificação específica da descrição dos exercícios do TAF no concurso de Soldado de 2025.
Para levar para o concurso
Você não precisa ser atleta para começar a preparação.
Mas precisa saber para qual prova está treinando.
O edital deve orientar o treinamento — e não o contrário.
Lucas descobriu isso antes da prova.
Talvez essa seja uma das perguntas que todo candidato deveria fazer:
“Estou treinando para ficar em forma ou estou treinando para passar exatamente no TAF que vou enfrentar?”
Joelson Ferri
Major da Brigada Militar (aposentado) | Fundador do Polícia360
Experiência de quem viveu a carreira. Informação para quem está construindo a próxima fase.